População forma filas para comprar água após ameaças de facção contra comerciantes locais no interior do Ceará

A população de Banabuiú, cidade no Sertão Central do Ceará, tem formado filas para a compra de água mineral aproximadamente duas semanas depois que comerciantes receberam ameaças atribuídas a uma facção criminosa. Por medo diante da situação, o comércio local deixou de vender água em garrafões.
Com isso, a distribuição de água na cidade passou a contar com o apoio logístico da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) nessa sexta-feira (30). A população começou a buscar os garrafões com este novo sistema na manhã deste sábado (31).
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o procedimento possibilita o comércio dos distribuidores de água de forma segura.
“A Cagece realiza a coleta dos garrafões com água nos fornecedores e os transporta até o município de Banabuiú, onde estão sendo comercializados. Essa logística conta com o aporte das Forças de Segurança para que essa comercialização seja feita com tranquilidade”, diz a pasta, em nota.
Três pessoas presas
No dia 22 de outubro, três pessoas foram presas por suspeita de ameaçar e extorquir comerciantes da cidade em nome de uma organização criminosa. A facção chegou a publicar mensagens intituladas de “edital” com ordens para os comerciantes. Uma escola municipal suspendeu as aulas em decorrência da situação.
Conforme a investigação, as mensagens de extorsão, sob nome “Edital Banabuiú”, começaram a circular no dia 19 de outubro. A ação criminosa foi ordenada pela facção carioca Comando Vermelho (CV) e estava assinada pela “Diretoria de Banabuiú”.
No texto, os criminosos condicionaram a comercialização e a distribuição de água no município à “autorização” da facção. Eles afirmaram que aqueles que descumprissem as ordenas “sofreriam as consequências”. Há relatos de cobranças de R$ 750 semanais para estabelecimentos.
Por causa da situação, uma escola municipal chegou a suspender as aulas no dia 21 de outubro por falta de abastecimento de água.
Conforme a SSPDS, os agentes apreenderam, com os investigados, seis aparelhos celulares, um revólver calibre 38, munições, um notebook e uma quantia em dinheiro. As investigações continuam em trabalho em conjunto com a Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Fonte: G1
