Pernambuco reforça vacinação contra sarampo após alerta de surtos fora do estado

Criança sendo vacinada/Foto: Marcelo Camargo
SES-PE mantém vigilância diante do avanço da doença em outras regiões; cobertura da tríplice viral permanece abaixo da meta de 95% no estado.
Pernambuco ampliou a atenção sobre o sarampo diante do registro de surtos em outras localidades, incluindo municípios de São Paulo, e de um alerta emitido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para as Américas. Embora o estado não registre casos da doença desde 2020, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) mantém ações de vigilância e reforça a vacinação como principal medida de prevenção.
O cenário preocupa especialmente porque a cobertura da vacina tríplice viral ainda está abaixo do índice considerado adequado. Atualmente, Pernambuco registra 87,42% de cobertura na primeira dose e 71,17% na segunda, enquanto a meta é alcançar 95% da população-alvo. O imunizante protege contra sarampo, rubéola e caxumba.
A preocupação ocorre em um momento de aumento da circulação do vírus fora de Pernambuco. Segundo as informações que motivaram o alerta da OPAS, surtos registrados na América do Norte e em parte da América Central chegaram a quase 50 mil casos. No Brasil, ocorrências recentes em cidades paulistas também elevaram o nível de atenção das autoridades sanitárias pernambucanas.
Como parte da preparação da rede, equipes da Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde e Atenção Primária se reuniram, em maio e junho, com representantes do Ministério da Saúde. Os encontros trataram da resposta epidemiológica e laboratorial, da imunização e da atuação da Atenção Primária à Saúde nas 12 regiões de Pernambuco. Também foram realizadas visitas técnicas a municípios e análises de indicadores relacionados às doenças exantemáticas, caracterizadas por manifestações como manchas e erupções na pele.
O infectologista da SES-PE Lucas Caheté alerta que o sarampo pode se espalhar rapidamente por meio de secreções liberadas por pessoas infectadas ao tossir ou espirrar. Febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite estão entre os sintomas mais frequentes. O médico também chama atenção para possíveis complicações, como pneumonia, otite, encefalite e diarreia, principalmente em crianças com menos de um ano. Pessoas com sintomas e histórico recente de viagens para outros estados ou países devem receber atenção especial.
A atualização da vacinação integra a Estratégia de Multivacinação 2026, iniciada nacionalmente em 3 de agosto e direcionada a crianças e adolescentes com menos de 15 anos. Mais de 20 imunizantes do calendário básico estão disponíveis durante a mobilização. Até agora, 5.758 doses relacionadas à proteção contra o sarampo foram aplicadas e registradas nos sistemas de informação em Pernambuco. O público estimado para a estratégia no estado é de 1.896.084 pessoas.
No esquema básico, a primeira dose da tríplice viral é aplicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Pessoas entre 12 meses e 29 anos que não tenham comprovação do esquema completo devem iniciar ou completar as duas doses, respeitando intervalo de 30 dias. Entre 30 e 59 anos, quem não comprovar a vacinação completa deve receber uma dose.
A superintendente de Imunizações de Pernambuco, Magda Costa, destaca que a intensa circulação de pessoas entre países e continentes facilita a disseminação de doenças que podem ser prevenidas por vacinas. Segundo ela, a imunização é fundamental para reduzir o risco de transmissão e proteger principalmente os grupos mais vulneráveis.
A campanha de multivacinação segue até 1º de setembro. A orientação da SES-PE é que pais e responsáveis levem crianças e adolescentes às salas e postos de vacinação com a caderneta, para que os profissionais verifiquem quais doses precisam ser atualizadas. A mobilização estadual também contou com um Dia D realizado em 22 de agosto.
Por Pernambuco Notícias
