Invasão do cangaceiro Sabino Gomes a Cajazeiras completa 100 anos marcada pela resistência popular

Invasão do cangaceiro Sabino Gomes a Cajazeiras completa 100 anos marcada pela resistência popular


Ataque liderado pelo homem de confiança de Lampião em 1926 foi repelido por moradores e policiais após horas de combate

combate histórico ocorrido em 28 de setembro de 1926, quando cangaceiros comandados por Sabino Gomes, homem de confiança de Lampião, tentaram saquear Cajazeiras, completa 100 anos. Vindo do Cariri cearense montado a cavalo e bem armado, o bando ingressou no território municipal pelos sítios Marimbas, Tambor, Redondo e Baixa Grande, onde cometeu os primeiros assassinatos contra os lavradores Raimundo Cassimiro e seu filho Chico Cassimiro, espalhando o pânico na região.

A progressão dos criminosos seguiu em direção à zona urbana, fazendo uma pausa no Sítio Remédios antes de acessar a Rua Coronel Vital (atual Dr. Coelho). No percurso, vitimaram um policial e o cidadão Cícero Ferreira Lima. Ao avançarem pela Rua do Comércio (atual Padre José Tomaz), o grupo ocupou a Igreja Coração de Jesus para usar a estrutura como trincheira.

Contudo, a marcha foi interrompida pelo tiroteio travado na Praça Coração de Jesus e nas ruas Sete de Setembro (atual Avenida presidente João Pessoa) e Tenente Sabino. Paralelamente, o casarão do Major Epifânio Sobreira, na Rua Quinze de Novembro (atual Rua Epifânio Sobreira), também virou palco de reação armada contra os invasores, enquanto a casa do bispo Dom Moisés Coelho abrigava famílias em fuga.

A defesa da cidade foi sustentada por cerca de 25 homens, liderados pelo Tenente Elias Fernandes, acompanhado de policiais e civis como Romeu Menandro Cruz, Padre Gervásio Coelho, Joaquim Sobreira Cartaxo, Praxedes Pitanga, Jaime Carneiro, Raimundo Anastácio e José Inácio da Silva. O ponto de virada ocorreu com a intervenção do técnico José Sinfrônio de Assis, que operou o motor da Usina de Força e Luz. Os estalos e estampidos emitidos pelo maquinário assustaram os cangaceiros, que imaginaram a chegada de reforços policiais com armamento pesado. Após seis horas de tiroteio, o bando incendiou o prédio do comerciante Martinho Barbosa Lima e recuou em direção a São José de Piranhas.

Mauricio Ribeiro

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