“Não é uma ‘guerrinha’ entre Cuba e Venezuela”: ministro José Múcio fala sobre os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio

“Não é uma ‘guerrinha’ entre Cuba e Venezuela”: ministro José Múcio fala sobre os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio

Em entrevista ao Blog do Alberes Xavier e à Rede Pernambuco de Rádios – diretamente de Brasília -, o ministro da Defesa, José Múcio, fez um alerta contundente sobre os desdobramentos da guerra em curso no Oriente Médio e seus reflexos na economia mundial. Segundo ele, embora o drama humanitário seja sempre o mais grave, os efeitos econômicos podem atingir diretamente países que não estão envolvidos no conflito.

“Os impactos vão ser na área da economia. Evidentemente que as perdas humanas, isso é muito grave sempre. Agora, os outros países que não estão envolvidos diretamente na guerra serão afetados se houver, por exemplo, o fechamento do Estreito de Ormuz – onde 20% do petróleo e do gás do mundo passa por alí”, afirmou o ministro.

O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o corredor é fundamental para o escoamento da produção de grandes exportadores de energia da região, como Irã, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Qualquer bloqueio ou ameaça concreta à navegação na área provoca reação imediata nos mercados internacionais.

José Múcio destacou que os primeiros sinais já foram percebidos. “Já houve um aumento ontem (2 de março) na bolsa de Londres do preço do gás por conta da ameaça de fechar o Estreito de Ormuz”, pontuou, reforçando que o simples risco de interrupção no fluxo de petróleo e gás é suficiente para pressionar preços e gerar instabilidade financeira.

Na avaliação do ministro, o cenário é delicado e envolve atores estratégicos da geopolítica internacional. “Posso assegurar que não é uma guerrinha, não é a Venezuela, não é Cuba, não são essas pequenas confusões que tem por aqui. Ali com o Irã é uma briga pesada. Estão os Emirados Árabes envolvidos, o Kuwait. Aquela região, o povo ali é bom de briga. Infelizmente, dessa vez se comprou uma confusão”, declarou.

O conflito atual amplia tensões históricas no Oriente Médio e eleva o temor de uma escalada regional com consequências globais. Analistas apontam que um eventual fechamento prolongado do Estreito de Ormuz pode provocar alta expressiva no preço do petróleo, impactar cadeias produtivas, pressionar a inflação e afetar diretamente economias como a brasileira, que dependem da estabilidade do mercado internacional de energia.

Mauricio Ribeiro

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