Agremiações de frevo publicam carta aberta contra “paredões” de som em Olinda

A presença de carros com paredões de som nas ladeiras de Olinda nos últimos anos tem gerado preocupação às agremiações tradicionais de frevo, não pelo gênero que já está incorporado ao Carnaval de rua da Cidade Alta, mas pelo volume que os sistemas produzem, capaz de abafar orquestras inteiras.
“O frevo arrasta multidões nas ruas estreitas da cidade, nascido e criado com uma formação musical própria para execução acústica, sem a necessidade de amplificação mecânica. As orquestras desfilam há mais de um século em harmonia com os modos de vida do Sítio Histórico de Olinda”, pontua a Associação das Agremiações de Frevo de Olinda.
“A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo”, aponta a nota.
“Na nossa terra, junto com o frevo, convivem amorosamente maracatus de baque virado, maracatus rurais, caboclinhos, papangus, caretas e tantas outras manifestações da cultura popular, inclusive o samba quando celebrado harmonicamente com nossas tradições”, completa a nota.
Fonte: Folha de PE
