A polêmica recifense do curso e estratégia da alternativa nacional

O início do ano expôs um problema que extrapolou a esfera administrativa e empurrou o prefeito João Campos (PSB) para uma vitrine negativa que ele próprio ajudou a montar quando permitiu a antecipação das eleições de 2026 em quase dois anos. A polêmica no concurso da Procuradoria do Recife, envolvendo a nomeação de um candidato que estava na 63ª posição para uma vaga de PCD, produziu um ruído político que teria sido evitado, caso o prefeito não fosse, há dois anos, tratado por aliados e pela própria equipe como personagem da eleição de outubro próximo.
A sequência de coincidências esquisitas nas denúncias feitas pelo vereador Eduardo Moura (Novo) foi o que levantou dúvidas legítimas sobre o processo. O candidato da 63ª posição no concurso, que tomou o lugar do primeiro colocado provisoriamente, é filho de um juiz que, ao assumir uma vara responsável por investigar a prefeitura, teria mandado suspender a investigação poucas horas depois.
É um movimento muito curioso, para dizer o mínimo. Mas, em si, não teria como ser juridicamente questionado. Coincidências, mesmo se forem muito absurdas como esta, não são crimes objetivos. Já pela percepção política é impossível isso não ser questionado. E o foro para esse questionamento é a Câmara de Vereadores.
A reação do prefeito não ajudou. Ao classificar o caso como “narrativa eleitoral”, ele evitou responder perguntas essenciais e pareceu evasivo. Em vez de oferecer transparência total e liberar a base para instalar a CPI, preferiu o discurso defensivo. Se não há irregularidade, a CPI poderia até encerrar o assunto rapidamente. Resistir transmite o contrário. Passa a ideia de que tem algo a esconder. E não é isso que alguém em campanha eleitoral há dois anos gostaria de viver.
