Sessão no STF tem bate-boca e será retomada para avaliar pedidos pró-Moraes

Foto: Fellipe Sampaio/STF
Por: Ana Paula Binbati e Marcela Mattos
Do UOL
A primeira parte da sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) que analisa a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes foi marcada por bate-boca entre os integrantes da corte e declaração de impedimentos. O julgamento foi suspenso pelo presidente do STF, Edson Fachin, e razão do horário eleitoral gratuito e será retomado às 15h.
Esta é a primeira vez que a corte se reúne para deliberar sobre a abertura de inquérito contra um de seus membros. A crise no STF foi desencadeada após André Mendonça, relator do caso Master, tirar o sigilo de conversas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Hoje, antes de suspender a sessão, Fachin sugeriu que, ao retomar a sessão, os ministros deliberem sobre a questão de ordem proposta por Flávio Dino. O presidente do STF disse que as seguintes questões serão tratadas: adiar o julgamento de Moraes para o dia 23, junto com André Mendonça, juntar no caso “todos os magistrados que tenham presença em documentos” relacionados ao banco Master e sortear novo relator.
A sessão foi precedida por uma série de vazamentos de diálogos que envolviam Vorcaro com o entorno de outros três integrantes do STF — os ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça. Nos últimos dias, aliados de Moraes aventavam que ele não era o único a ter familiares ligados ao banqueiro e que novas revelações viriam à tona.
Da tribuna, Nunes Marques afirmou que nunca trocou mensagens com Vorcaro, disse que jamais julgou processos relacionados ao Master e que seu filho, citado como beneficiário de R$ 500 mil por mês, “nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco”. Apesar disso, o ministro, que acumula a função de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, se declarou impedido sob o argumento de que o julgamento pode eventualmente impactar o cenário político-eleitoral e que não se sentia “confortável” de participar do caso. Na sequência, deixou o plenário.
Já o ministro Dias Toffoli, que em fevereiro deixou a relatoria do Master após também virem à tona ligações dele com o Master, disse que iria manter a coerência dos julgamentos na Segunda Turma. Ele se declarou suspeito de votar “para a preservação do próprio bom andamento do trabalho” — embora tenha dito que não se considera “impedido”. Fux participou dos debates ao longo da manhã.
Os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino sustentaram que o presidente da corte, Edson Fachin, não poderia ter puxado para si os inquéritos relacionados ao Banco Master como relator dos procedimentos. A medida estaria, segundo ele, contrária ao que determina o regimento interno da Corte. Durante a sessão marcada para avaliar pedido de investigação do ministro Alexandre de Moraes, ambos os ministros ainda defenderam que o caso seja adiado.
“Se nós aceitarmos a avocatória, presidente, nós estaremos abrindo uma avenida de autoritarismo, de despotismo, de tirania nos tribunais que ninguém vai controlar”, disse Dino a Fachin sobre a mudança de comando dos casos relativos ao Master. O ministro complementou: “Vossa excelência é um homem probo, bem-intencionado, mas os homens bem-intencionados também erram”.
Moraes x Mendonça
Sob escrutínio dos colegas, Alexandre de Moraes participou da sessão desta terça-feira ao lado dos ministros e defendeu que o caso dele fosse julgado de maneira conjunta com o do ministro André Mendonça, cujas ações processuais também serão analisadas pelo plenário em sessão prevista para o próximo dia 23.
Ao assumir o microfone, Moraes criticou Mendonça e acusou o então relator do caso Master de exigir que a Polícia Federal incluísse “um colega na colaboração premiada”. Moraes disse ainda que seu colega de Corte está “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe nesse país”. Alvo da investigação, o ministro também prometeu indicar testemunhas e advogados para comprovar que Mendonça teria atuado para direcionar as investigações.
Gilmar Mendes questionou os motivos que levam o Supremo a julgar pedido de investigação apenas contra Alexandre de Moraes e durante a campanha eleitoral. “Há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como os autos foram conduzidos nesse inquérito. Escolha de data, 7 de setembro, envolvendo essa Corte em campanha eleitoral. Isso não se faz”.
“O interesse é evidente. Acachapante. Extravagante. Evidente que se trata de um ‘pixuleco’, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando”, afirmou Gilmar.
Durante as declarações, Gilmar chegou a apontar o dedo para Mendonça. “Não aponte o dedo pra mim”, respondeu Mendonça, que disse que se defenderia das acusações quando chegasse sua hora de falar. Ele não teve a palavra antes da suspensão do julgamento.
