Desmatamento cai 34% na Caatinga, mas BA e CE acumulam 58% de perda do bioma

Desmatamento cai 34% na Caatinga, mas BA e CE acumulam 58% de perda do bioma

Prodes registra queda de 34,3% na área de Caatinga, que volta ao patamar de 2017. Dos 15 municípios mais afetados, nove ficam na Bahia e quatro no Ceará. Bioma não tem alerta em tempo real


Desmatamento e queimada eliminam a vegetação nativa da Caatinga e facilitam a ocupação humana, afetando de forma drástica a área do bioma nordestino. Foto: Embrapa Semiárido/Reprodução

Um terço de toda a vegetação suprimida na Caatinga desde 2001 está concentrado em um único estado: a Bahia acumula 44.252,70 km² de desmatamento no bioma, o equivalente a 34,5% do total, segundo a plataforma TerraBrasilis do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Os dados foram atualizados com os resultados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes) do INPE, cuja metodologia foi estendida a todos os biomas brasileiros, divulgados em 7 de agosto de 2026, que registraram queda de 34,3% na área desmatada da Caatinga entre agosto de 2024 e julho de 2025, de 3.484 km² para 2.289,54 km².

O resultado retorna o bioma ao patamar de supressão registrado entre 2016 e 2018, após dois anos consecutivos de alta. A série histórica do Prodes para a Caatinga registra os seguintes valores anuais em km²: 2.433 (2016), 2.246 (2017), 2.170(2018), 1.868 (2019), 2.226 (2020), 2.096 (2021), 2.628 (2022), 3.170 (2023), 3.484 (2024) e 2.290(2025). O pico de 2024 foi o maior da série. A queda de 2025 interrompeu a trajetória de alta iniciada em 2022.

Os dados acumulados do TerraBrasilis (2001–2025) colocam o Ceará como o segundo estado com maior área de vegetação suprimida na Caatinga: 30.295,35 km²23,62% do total. Juntos, Bahia e Cearárespondem por 58,12% de todo o desmatamento acumulado no bioma.

Mauricio Ribeiro

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