Ele criou negócio milionário com dinheiro que sogro deu para comprar carro

Ele criou negócio milionário com dinheiro que sogro deu para comprar carro

Hugo Batista dirigia um Citroën C3 velho quando namorava. Segundo ele, o automóvel “bebia mais água do que combustível”.

O sogro, com medo de que o veículo fervesse e deixasse a filha na mão, deu R$ 34 mil a Hugo após o casamento, para que ele comprasse um outro carro novo.

“Meu sogro não queria a filha dele naquele carro, que ia explodir. Enquanto eu buscava um modelo, surgiu a oportunidade de criar um estúdio de móveis. Dividi a grana. Usei R$ 17 mil para comprar os primeiros equipamentos de que precisava para o negócio.”

O início da empresa, em 2013, foi com a produção de sofás em um pequeno estúdio, em Birigui, no interior de São Paulo. Em 2024, ele faturou R$ 75 milhões com a Mundo Móveis e hoje é dono de três marcas: Cialar, Bux e Asano.

Carreira no mundo dos móveis

Batista já tinha experiência em grandes empresas de varejo moveleiro quando decidiu criar a própria marca. Em 2015, fez uma parceria com a Mobly. Com isso, recebeu o aporte necessário para iniciar a produção, ainda que pequena. Um sofá no estilo retrô fez grande sucesso e foi o pontapé de que ele precisava.

“No começo, aluguei um espaço de 75 m², parcialmente fechado. Quando chovia, a gente puxava uma lona para fechar as laterais. Éramos eu e dois meninos trabalhando ali”, conta.

A ideia de Hugo era democratizar a decoração, criando produtos econômicos e bonitos. “Os desenhos eram meus. Fiz um sofá retrô, com pé de madeira cônico, e isso explodiu de venda”, diz.

O sucesso do modelo foi tanto que, em 40 dias, a fábrica precisou crescer para um espaço de 250 m², com mais quatro funcionários.

“Minha capacidade produtiva, que era de dois produtos por dia, precisava atender a uma demanda muito maior. Em um mês, tive um crescimento de cinco vezes.”

Aprendendo na prática

Como boa parte dos empreendedores, Hugo Batista precisou desvendar sozinho os processos burocráticos. Do fluxo de caixa à linha de produção, tudo aconteceu com esforço, tentativas e erros.

Hugo não queria se endividar com grandes empréstimos, então diminuía a margem de lucro para manter o fluxo de caixa. “Aumentei o prazo de pagamento e reduzi o prazo de recebimento. Mesmo assim, com o crescimento muito acelerado, não sobrava dinheiro. Meu investidor começou a pagar adiantado para me dar fôlego de crescimento, sem contas a pagar”, conta.

Também teve que encarar problemas nas linhas de produção. “A gente produzia braço de sofá em uma linha, assento em outra e encosto em outra. No final do dia, tinha 30 braços amarelos, 30 assentos vermelhos, 30 encostos azuis e zero sofás”, relata. Para resolver isso, contou com a ajuda de um novo sócio, que passou a cuidar da parte burocrática enquanto Hugo focava na criação.

Com o tempo, Hugo passou a conhecer melhor o mercado e a enxergar oportunidades. Assim, novas marcas surgiram. Algumas deram certo, outras geraram prejuízos milionários. “Tivemos uma fábrica de guarda-roupa. Investimos cerca de R$ 3 milhões e perdemos tudo. Foi soberba”, conta. Lição aprendida.

Novas ideias e vendas internacionais

Batista não se reconhecia como o designer da própria marca. Acreditava ser apenas “o homem que fazia os desenhos”. Mas o mercado viu diferente. Ele chegou a ser convidado para palestrar na maior feira de design da América Latina.

Em feiras e viagens, conheceu novos produtos, matérias-primas e decidiu arriscar em um novo tipo de mobiliário. Um dos vídeos que o filho fez para as redes sociais com esse novo produto viralizou e chamou a atenção da rede hoteleira. Hoje, suas peças são vendidas até nos Estados Unidos.

“Descobri que o mobiliário externo era desconfortável. Desenvolvemos uma espuma que pode ser molhada, seca rápido e não apodrece. Somos a única empresa brasileira de área externa que fabrica a própria espuma. Criamos o conceito in-out: produto com aparência de interno, mas que pode ficar no sol e na chuva.”

O que começou com uma pequena produção hoje é um negócio gigante. “Eu trabalhei muito. Carreguei o primeiro caminhão. Chamava amigos para ajudar. Naquela época, era um a cada 15 dias. Hoje são 16 caminhões por dia”, finaliza.

Fonte: UOL

Juliana Silva

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