Operação da Polícia Civil prende suspeitos de matar mulher e jogar corpo em rio no sul do Estado

Operação da Polícia Civil prende suspeitos de matar mulher e jogar corpo em rio no sul do Estado

Uma operação da Polícia Civil do Tocantins, deflagrada nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (02), resultou na prisão de um homem e de suas duas filhas suspeitos de envolvimento no homicídio de Deise Carmem de Oliveira Ribeiro, de 55 anos. A vítima estava desaparecida desde o dia 27 de dezembro de 2025 e teve o corpo localizado em avançado estado de decomposição no dia 1º de janeiro deste ano, no rio Santa Tereza, na zona rural do município de Peixe, na região sul do estado.

Os presos foram identificados como José Roberto Ribeiro, de 54 anos e duas de suas filhas. Uma delas, Débora de Oliveira Ribeiro, de 26 anos, foi presa em Palmas. A outra, Roberta de Oliveira Ribeiro, de 31 anos, foi localizada e detida junto com o pai no município de Palmeirópolis. Conforme apurado pela reportagem, Deise Carmem era esposa de José Roberto e mãe das duas suspeitas.

Prisões e operação

A operação foi batizada de Sangue do Ventre e foi conduzida pela 94ª Delegacia de Polícia de Peixe, com apoio da 5ª Delegacia de Palmas, da Delegacia Especializada de Polícia Interestadual, Capturas e Desaparecidos (POLINTER), do Grupo de Operações Táticas Especiais (GOTE), 8ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC – Gurupi) e de policiais civis da delegacia de Palmeirópolis.

Deise Carmem de Oliveira Ribeiro tinha 55 anos — Foto: Reprodução/Gurupi Memes

Durante a operação, os agentes cumpriram três mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão nos municípios de Palmas e Figueirópolis. Um homem e duas mulheres foram detidos, todos apontados como suspeitos de participação direta no crime.

Débora de Oliveira Ribeiro foi localizada em um apartamento de um condomínio residencial no setor Lago Sul, na região sul de Palmas. Ela foi presa por equipes do GOTE e conduzida à sede da 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC – Palmas), onde foi ouvida pelo delegado João Paulo Sousa Ribeiro, titular da 94ª DP de Peixe e responsável pelas investigações. Posteriormente, foi encaminhada à Unidade Penal Feminina de Palmas (UPFP), onde permanece à disposição da Justiça.

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Já José Roberto Ribeiro e a filha Roberta foram presos em Palmeirópolis, na região sul do estado. Ambos foram levados para a unidade da Polícia Civil do município, onde aguardam para prestar depoimento à autoridade policial.

Além dos mandados de prisão, as equipes cumpriram ainda três mandados de busca e apreensão em endereços de Palmas e Palmeirópolis. O celular de uma das suspeitas foi apreendido e será periciado.

O delegado que preside a investigação, João Paulo Sousa Ribeiro, informou que a investigação aponta que o assassinato foi motivado por conflitos familiares. A vítima foi morta a facadas e teve o corpo jogado no rio numa tentativa de ocultar o crime.

“Foi um crime de extrema gravidade, marcado não só pela violência, mas também pela tentativa de obstruir a Justiça e enganar a polícia. Esta investigação foi minuciosa e realizada através de uma força tarefa de várias unidades para conseguir chegar a esta resposta satisfatória para a sociedade”, disse. Além do homicídio, os suspeitos devem ainda responder pelas tentativas de atrapalhar o fluxo processual.

Crime com requintes de crueldade

De acordo com informações apuradas pela Agência Tocantins, Deise Carmem foi assassinada a golpes de faca. Após o crime, os suspeitos teriam jogado o corpo da vítima no rio Santa Tereza na tentativa de ocultar o homicídio.

O cadáver foi localizado quatro dias após o desaparecimento, já em estado avançado de decomposição. As investigações indicam que a vítima foi esfaqueada antes de ser lançada na água.

Corpo encontrado no rio

Na tarde de quinta-feira (1º), um morador da região avistou algo na água e acionou as autoridades. O Corpo de Bombeiros confirmou, por volta das 16h30, que se tratava de um corpo humano.

Bombeiros resgataram o corpo do Rio Santa Tereza, em Peixe — Foto: Reprodução/Bombeiros

Equipes da Polícia Militar (PM), da Polícia Científica e do Instituto Médico Legal (IML) também se deslocaram até o local. Para o resgate, os bombeiros utilizaram equipamentos de salvamento aquático e cordas, realizando a estabilização e a remoção do corpo até a margem do rio.

Investigações continuam

A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento para esclarecer a motivação do crime e a participação de cada um dos suspeitos. Os três presos permanecem à disposição do Poder Judiciário.

O caso causou comoção entre moradores da região sul do Tocantins e reacendeu o debate sobre violência doméstica e familiar, já que a vítima e os suspeitos pertenciam ao mesmo núcleo familiar.

Significado do nome da operação

O nome “Sangue do Ventre” foi escolhido de forma simbólica para representar os laços de sangue e o vínculo familiar entre a vítima e os suspeitos. A expressão faz referência ao parentesco direto, especialmente à relação entre mãe e filhos, já que os investigados pertencem ao mesmo núcleo familiar de Deise Carmem.

No contexto da investigação, o título da operação simboliza um crime ocorrido dentro da própria família, marcado pela ruptura dos laços afetivos e pela violência vinda de quem, em tese, deveria proteger a vítima. A Polícia Civil informou que a escolha do nome segue uma prática institucional de utilizar termos simbólicos para destacar a gravidade e o impacto social dos crimes apurados.

Débora foi presa em um apartamento onde estava morando no condomínio residencial no setor Lago Sul, em Palmas – Foto: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins

Reportagem: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins

Mauricio Ribeiro

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